
É outra das Freguesias que constituem a Sede do Concelho. Aqui se situam alguns dos mais importantes monumentos da cidade, como o Convento de S. João de Deus, os Paços do Concelho ou a Igreja Matriz. O seu povoamento é tão remoto como no resto da região. A Anta da Comenda demonstra bem que os primeiros habitantes se fixaram por aqui desde os tempos megalíticos. Existem alguns vestígios, também, do tempo dos Romanos. Como se disse antes, aqui se situava a Antiga Cidade de Castrum Malianum. Junto aos Paços do Concelho, surgiram algumas moedas daquele tempo (dos Imperadores Adriano, Valeriano, Gordiano e Maximiano) e várias inscrições latinas coevas. Uma delas, que se encontrava na Igreja Matriz e que está exactamente nos Paços do Concelho, refere: “D. M. S. - Memoriae G. F. Calchishi”, sendo, de forma bem visível, uma lápide funerária. Outros objectos, como ânforas e peças de barro, dividem os historiadores. Uns apontam a sua origem romana, outros não chegam tão longe nos tempos e localizam-nas na época muçulmana. Em termos eclesiásticos, a paróquia de N.ª Sr.ª do Bispo, fundada em 1300, era uma reitoria da apresentação do Arcebispo de Évora. Tinha oito beneficiados em 1708, recebendo cada um cento e cinquenta alqueires de trigo anual. O reitor tinha apenas a obrigação de cantar as missas nas principais festividades da igreja, fazer as estações aos seus fregueses e presidir aos actos públicos. Tinha de renda anual sessenta alqueires de trigo. O território da Freguesia, no passado, era muito mais pequeno, mas a extinção de duas delas, a de St.ª Maria do Castelo e a de S. João Baptista, permitiu a divisão do seu termo por duas circunscrições maiores. A área actual da Freguesia é de mais de 120 K2. Uma terra belíssima, esta de N.ª Sr.ª do Bispo de Montemor-o-Novo. José Saramago, na sua “Viagem a Portugal”, refere: “O viajante está a caminho de Montemor-o-Novo. (...) Da antiga Igreja de St.ª Maria do Bispo resta o portal manuelino com uma cancela de arame de capoeira, do Paço dos Alcaides carcomidas torres e empenas. (...) Quis encontrar prémio o viajante, visitando o Convento da Saudação, mas não lhe consentiram a entrada. Paciência. A paisagem, em Montemor, é magnífica: “O panorama tem maior alegria, sem deixar de ser grandioso e amplo: os “montes” e as herdades dispersaram-se como montículos de neve entre a negrura dos montados, e no cômoro dos outeiros os moinhos de vento erguem os seus cocurutos pintados de negro e de vermelho. Lá em baixo, finalmente, para dar maior variedade à paisagem, correm as águas lentas do Almansor, cortado pela ponte do caminho de ferro. Se o que domina, porém, no conjunto é uma paisagem austera e melancólica, este contacto com a região de Montemor, assim apreendida do alto das suas muralhas, não deve deixar de constituir uma surpresa para quem espera apenas no Alentejo o espectáculo desolado de vastas superfícies nuas” (Guia de Portugal). Do património desta Freguesia, algum do qual está referido já nas citações de Saramago e do “Guia de Portugal”, destaca-se claramente o Convento de S. João de Deus, o maior nome da vila. Se a Igreja serve como a Matriz da Freguesia, já as dependências do antigo mosteiro servem hoje e desde o século XIX como Repartições de Serviços Públicos. O templo foi construído em 1625, exactamente no local do nascimento do Santo. Alguns anos antes, em 1607, já o irmão João Pecador aqui fundara um pequeno oratório, porém desabitado até 1623. No templo, algumas decorações com pinturas a fresco datadas de 1662 e 1679. É figura ilustríssima de Montemor-o-Novo S. João de Deus. Baptizado com o nome de João Cidade, nasceu em 1495. Com oito anos apenas, abandonou o torrão-natal e estabeleceu-se em Oropesa - Espanha. Voltou à sua terra em 1532, tinha então trinta e sete anos e a família destruída, com a mãe morta e o pai enclausurado no Convento de S. Francisco de Lisboa. O resto da vida, impressionado com aqueles acontecimentos e com o exemplo do pai, dedicou-o a Deus. Foi viver para Ceuta e depois para Granada. Em 1538, inicia a sua santa obra, com a fundação de um hospital para desfavorecidos e sem-abrigo, que daria lugar depois da sua morte, e com reconhecimento do papa Pio V, à Ordem dos Irmãos Hospitaleiros de João de Deus, extinta em 1834 (como todas as outras ordens religiosas) e restaurada em 1890. Foi beatificado em 1623 e canonizado em 1690.
Actividades Económicas: Comércio, Agricultura, Pecuária, Construção Civil e Serviços.
Festas e Romarias: S. Geraldo (1.º fim-de-semana de Agosto), Fazendas do Cortiço (último fim-de-semana de Julho) e S. João de Deus (8 de Março).
Património: Anta da Comenda, Igreja Matriz, Convento de S. João de Deus, Ermida da N.ª Sr.ª da Conceição e Ermida de S. Pedro.
Outros Locais: Anta da Comenda da Igreja (S. Geraldo), Hospital Infantil S. João de Deus, Igreja Matriz, Ermida de N.ª Srª. da Conceição e Capela de S. Pedro.
Gastronomia: Migas com Carne de Porco à Alentejana, Alimado de Cação, Açorda, Sargalheta, Ensopado de Borrego, Gaspacho, Bolo de Mel, Pastéis de Grão e Filhós.
Artesanato: Pintura em Madeira, Vitrais e Olaria, Cestaria e Construção de Mobílias Alentejanas em Miniatura.
Colectividades: Centro Cultural R. e Popular de S. Geraldo, Grupo D. de Fazendas do Cortiço, Clube de Ténis de Montemor-o-Novo, Centro Cultural e D. do Ferro da Agulha, A. dos Bombeiros V. de Montemor-o-Novo, Clube de Judo de Montemor-o-Novo e Arpi – A. dos Reformados, Pensionistas e Idosos de Montemor-o-Novo.
Orago: S. João de Deus.
Feiras: Feira da Luz (1.º fim-de-semana de Set.), e mercado mensal.