26 setembro, 2006

A Freguesia de Silveiras



Principia o seu limite na estrada rial donde chamão a venda de bacho das Sylveiras para o nascente" "He banhada pela parte do Norte, com uma ribeira, que tem nascimento nas Silveiras." Memórias paroquiais (1758) Silveiras é hoje, uma localidade emergente, pulverizada, incipiente nos seus contornos, não constituindo ainda uma aldeia no sentido clássico do termo, As "Vendas" das Silveiras nasceram ao longo da EN 4, na recta e nas curvas que antecedem o desvio para Cabrela, A mesma estrada "por onde se comunica a corte de Lisboa com todo o Alentejo, Roma, e muitas partes do mundo." Memórias paroquiais (1758) A Freguesia de Silveiras criada a partir de Cabrela e de N.ª Sr.ª do Bispo a 23 de Maio de 1988, ocupando uma área de 110.95 km2, tinha segundo o censo de 2001, 640 habitantes sendo ainda a Freguesia com menos habitantes. Os limites da Freguesia, começam no Monte Estoril na ribeira da Lage, que a divide de N.ª Sr.ª do Bispo e prolonga-se até à Cova do Lagarto, onde faz fronteira com o concelho de Vendas Novas; até Colónias, na passagem de nível. onde começa Cabrela; até ao ribeiro de Vale de Asna, onde surge S. Cristóvão; o rio Almansor separa-a da Freguesia dos Foros de Vale de Figueira. À beira de quem passa a caminho de Lisboa é o assumir do seu posicionamento no concelho e junto à estrada que, por assim dizer, fabricou as Silveiras. Das jovens Freguesias do concelho, Silveiras é aquela que possui a localização mais previligiada em plena EN 4. As potencialidades da Freguesia, resultam de ser passagem incontornável para quem se desloque entre Lisboa e a fronteira e não queira usar a auto-estrada que lhe passa à margem. Foi, aliás assim, que se foram constituindo, ao longo dos tempos, alguns kms mais adiante, umas outras Vendas, Vendas Novas, hoje cidade e concelho. O processo foi o mesmo e começou no séc. XlV. O atalhar caminho, arreigado hábito humano, assim o ditou. Estabelecemos este paralelismo para revelar um futuro em aberto, em particular neste séc. XXI, em que tudo acontece a uma velocidade, que sempre, nos surpreende. Sendo freguesia há já quase 13 anos o objectivo imediato de Silveiras é aceder a uma organização urbanística e a uma vivência humana que a curto prazo a constituem como mais uma aldeia alentejana, tranquilamente estendida na planície. É sobre o lado esquerdo de quem se desloca para Montemor que se estende o Plano de Urbanização. Se Silveiras deve a sua existência enquanto aglomerado à existência de tal via de comunicação quase somos tentados a afirmar que a EN4 uma estrada que abre e modela o futuro, de modo, que não é difícil concluir que o desenvolvimento das Silveiras depende, em grande medida. de quem ali passa e pára. Seja turista ocasional, seja quem por ali se desloca com relativa regularidade, em trabalho. Grande parte da sua vida económica passa, desde sempre, pela implantação de comércio ligado à restauração, começando também agora a surgir os primeiros afloramentos de dormidas, Daí acreditarmos que pequenos hotéis, fundamentalmente para dormidas de uma só noite, possam vir a surgir e a tornar-se mais uma das componentes do seu desenvolvimento. Os nomes dos projectos que já hoje existem, como que refletem todo um ambiente. Ora escutai... "Oásis", "Solar", "O Terraço", "24 Horas" e ainda os restaurantes já consagrados, "Chaparral".

População: 640.
Actividades Económicas: Construção Civil, Exploração de Cortiça, Exploração de Avestruzes, Agricultura, Turismo Rural, Pecuária, Salsicharia e Pequeno Comércio.
Património: Menir, Igreja de Safira (ruínas), Moinhos de Água de Castelos Velhos.
Outros Locais: Parque Zoológico de Avestruzes.
Artesanato: Trabalhos em Madeira, Cortiça, Verga e Bordados.
Colectividades: Grupo Cultural e Desportivo de Silveiras e Associação de Idosos Reformados, Associação de Solidariedade Social de Silveiras e Pensionistas de Silveiras.
Orago: N.ª Sr.ª da Natividade.

15 setembro, 2006

A Freguesia de N.ª Sr.ª do Bispo


É outra das Freguesias que constituem a Sede do Concelho. Aqui se situam alguns dos mais importantes monumentos da cidade, como o Convento de S. João de Deus, os Paços do Concelho ou a Igreja Matriz. O seu povoamento é tão remoto como no resto da região. A Anta da Comenda demonstra bem que os primeiros habitantes se fixaram por aqui desde os tempos megalíticos. Existem alguns vestígios, também, do tempo dos Romanos. Como se disse antes, aqui se situava a Antiga Cidade de Castrum Malianum. Junto aos Paços do Concelho, surgiram algumas moedas daquele tempo (dos Imperadores Adriano, Valeriano, Gordiano e Maximiano) e várias inscrições latinas coevas. Uma delas, que se encontrava na Igreja Matriz e que está exactamente nos Paços do Concelho, refere: “D. M. S. - Memoriae G. F. Calchishi”, sendo, de forma bem visível, uma lápide funerária. Outros objectos, como ânforas e peças de barro, dividem os historiadores. Uns apontam a sua origem romana, outros não chegam tão longe nos tempos e localizam-nas na época muçulmana. Em termos eclesiásticos, a paróquia de N.ª Sr.ª do Bispo, fundada em 1300, era uma reitoria da apresentação do Arcebispo de Évora. Tinha oito beneficiados em 1708, recebendo cada um cento e cinquenta alqueires de trigo anual. O reitor tinha apenas a obrigação de cantar as missas nas principais festividades da igreja, fazer as estações aos seus fregueses e presidir aos actos públicos. Tinha de renda anual sessenta alqueires de trigo. O território da Freguesia, no passado, era muito mais pequeno, mas a extinção de duas delas, a de St.ª Maria do Castelo e a de S. João Baptista, permitiu a divisão do seu termo por duas circunscrições maiores. A área actual da Freguesia é de mais de 120 K2. Uma terra belíssima, esta de N.ª Sr.ª do Bispo de Montemor-o-Novo. José Saramago, na sua “Viagem a Portugal”, refere: “O viajante está a caminho de Montemor-o-Novo. (...) Da antiga Igreja de St.ª Maria do Bispo resta o portal manuelino com uma cancela de arame de capoeira, do Paço dos Alcaides carcomidas torres e empenas. (...) Quis encontrar prémio o viajante, visitando o Convento da Saudação, mas não lhe consentiram a entrada. Paciência. A paisagem, em Montemor, é magnífica: “O panorama tem maior alegria, sem deixar de ser grandioso e amplo: os “montes” e as herdades dispersaram-se como montículos de neve entre a negrura dos montados, e no cômoro dos outeiros os moinhos de vento erguem os seus cocurutos pintados de negro e de vermelho. Lá em baixo, finalmente, para dar maior variedade à paisagem, correm as águas lentas do Almansor, cortado pela ponte do caminho de ferro. Se o que domina, porém, no conjunto é uma paisagem austera e melancólica, este contacto com a região de Montemor, assim apreendida do alto das suas muralhas, não deve deixar de constituir uma surpresa para quem espera apenas no Alentejo o espectáculo desolado de vastas superfícies nuas” (Guia de Portugal). Do património desta Freguesia, algum do qual está referido já nas citações de Saramago e do “Guia de Portugal”, destaca-se claramente o Convento de S. João de Deus, o maior nome da vila. Se a Igreja serve como a Matriz da Freguesia, já as dependências do antigo mosteiro servem hoje e desde o século XIX como Repartições de Serviços Públicos. O templo foi construído em 1625, exactamente no local do nascimento do Santo. Alguns anos antes, em 1607, já o irmão João Pecador aqui fundara um pequeno oratório, porém desabitado até 1623. No templo, algumas decorações com pinturas a fresco datadas de 1662 e 1679. É figura ilustríssima de Montemor-o-Novo S. João de Deus. Baptizado com o nome de João Cidade, nasceu em 1495. Com oito anos apenas, abandonou o torrão-natal e estabeleceu-se em Oropesa - Espanha. Voltou à sua terra em 1532, tinha então trinta e sete anos e a família destruída, com a mãe morta e o pai enclausurado no Convento de S. Francisco de Lisboa. O resto da vida, impressionado com aqueles acontecimentos e com o exemplo do pai, dedicou-o a Deus. Foi viver para Ceuta e depois para Granada. Em 1538, inicia a sua santa obra, com a fundação de um hospital para desfavorecidos e sem-abrigo, que daria lugar depois da sua morte, e com reconhecimento do papa Pio V, à Ordem dos Irmãos Hospitaleiros de João de Deus, extinta em 1834 (como todas as outras ordens religiosas) e restaurada em 1890. Foi beatificado em 1623 e canonizado em 1690.

Actividades Económicas: Comércio, Agricultura, Pecuária, Construção Civil e Serviços.
Festas e Romarias: S. Geraldo (1.º fim-de-semana de Agosto), Fazendas do Cortiço (último fim-de-semana de Julho) e S. João de Deus (8 de Março).
Património: Anta da Comenda, Igreja Matriz, Convento de S. João de Deus, Ermida da N.ª Sr.ª da Conceição e Ermida de S. Pedro.
Outros Locais: Anta da Comenda da Igreja (S. Geraldo), Hospital Infantil S. João de Deus, Igreja Matriz, Ermida de N.ª Srª. da Conceição e Capela de S. Pedro.
Gastronomia: Migas com Carne de Porco à Alentejana, Alimado de Cação, Açorda, Sargalheta, Ensopado de Borrego, Gaspacho, Bolo de Mel, Pastéis de Grão e Filhós.
Artesanato: Pintura em Madeira, Vitrais e Olaria, Cestaria e Construção de Mobílias Alentejanas em Miniatura.
Colectividades: Centro Cultural R. e Popular de S. Geraldo, Grupo D. de Fazendas do Cortiço, Clube de Ténis de Montemor-o-Novo, Centro Cultural e D. do Ferro da Agulha, A. dos Bombeiros V. de Montemor-o-Novo, Clube de Judo de Montemor-o-Novo e Arpi – A. dos Reformados, Pensionistas e Idosos de Montemor-o-Novo.
Orago: S. João de Deus.
Feiras: Feira da Luz (1.º fim-de-semana de Set.), e mercado mensal.

A Freguesia de N.ª Sr.ª da Vila

Com uma área de 186 K2 é uma das duas Freguesias da Cidade de Montemor-o-Novo, e é composta pelas seguintes povoações rurais: Reguengo, S. Mateus, Paião, Maia, Pintada e St.ª Sofia. Em finais do século XIII, era Montemor-o-Novo terra de grande importância. Com D. Dinis, aqui se reuniu a Assembleia que impetrou de Honório IV a criação de uma Universidade. Por duas vezes, aqui se realizaram cortes, em 1477 e em 1495. Fundada em 1234, a Freguesia de N.ª Sr.ª da Vila era uma reitoria da apresentação do Arcebispo de Évora. Com seis beneficiados em 1708, constituiu em 1758 uma colegiada. O seu período de apogeu ocorreu, no entanto, no decorrer dos séculos XV e XVI. À prosperidade trazida pelo comércio, aliava-se nesses tempos de riqueza a nível nacional o facto de a corte aqui estacionar durante longos períodos. Alojavam-se no Castelo de Montemor, os nossos monarcas, o que trazia inevitáveis e positivas consequências para a sua população. Segundo João de Barros, foi nas cortes de Montemor, de 1495, que D. Manuel I decidiu mandar descobrir o caminho marítimo para a Índia. Em 1503, o mesmo monarca concedia Foral de Leitura Nova a Montemor-o-Novo, confirmando assim as prerrogativas de que beneficiara a vila com D. Afonso Henriques. Em 1563, recebeu de D. Sebastião o título de “Vila Notável”. Importante foi a Freguesia nos difíceis tempos da perda da independência. A praça foi ocupada pelos castelhanos, nesse ano de 1580, apesar da resistência tentada por D. Diogo de Meneses e do Conde de Vimioso. Na restauração, em 1640, Montemor colocou-se de imediato ao lado de D. João IV. A resistência de Montemor, com o seu castelo, aos povos invasores, continuou com as Invasões Francesas. Em 1808, Junot empreendia o primeiro dos três ataques gauleses ao nosso País, e a Freguesia resistiu galhardamente. Em 1834, aqui estacionou o estado-maior do exército liberal chefiado por Saldanha, durante as lutas entre liberais e absolutistas. Em 11 de Março de 1988, Montemor-o-Novo era elevado a cidade, culminando um desenvolvimento que nos últimos anos se tornara latente. É este o facto mais importante da história recente deste concelho. Uma terra de muitos encantos, como refere José Saramago na sua “Viagem a Portugal”: “Em Montemor-o-Novo, o viajante começa por visitar o castelo, que de longe, visto de nascente, parece uma sólida e intacta construção. Mas, por trás das muralhas e das torres deste lado, não há mais do que ruínas. E, para chegar ao que resta, o acesso não é fácil. O viajante teve de pensar para olhar de perto o matadouro mourisco, com a sua elegante cúpula.” (...)"Foi consolar-se ao Convento de S. Domingos, vendo os magníficos azulejos policromos que forram de alto a baixo a igreja. No aproveitamento das antigas celas deu depois com um museu tauromáquico". No antigo Convento de S. Domingos, funciona um Museu de Arqueologia. Inclui um núcleo com espólio das Grutas do Escoural, uma sala de olaria portuguesa e uma secção de etnografia portuguesa. Na igreja do convento, destaca-se um magnífico revestimento de azulejos seiscentistas. (...) "A cada qual seu gosto. Onde o viajante gostou de estar foi no Santuário de N.ª Sr.ª da Visitação, construído na interpretação rural do estilo manuelino-mudéjar, que se resolve em pequenas torres cilíndricas e em grandes superfícies caiadas. A fachada é setecentista, mas não consegue esconder o traço original. Lá dentro alegram a vista azulejos historiados e nervuras de abóbada. À entrada, uma grande arca de madeira recolhe o trigo oferecido para as despesas do culto. O viajante espreitou: uns escassos punhados de cereal, no fundo, serviam de chamariz ou eram a sobra da colecta.” O castelo é, pois, o mais interessante monumento de Montemor-o-Novo. É o mais importante sob o ponto de vista histórico. Imagina-se, pelo que dele resta, aquilo que lhe falta e a imponência de que, sob uma capa de orgulho, se terá revestido. Tão imponente como orgulhosa, pois domina toda a povoação de forma altaneira, presidindo assim aos destinos dos seus habitantes. Da antiga fortaleza, resta hoje a torre do relógio, com coruchéus rodeados de pináculos e de ameias. A leste e a oeste, duas torres que de tão fortes ainda resistem, a da Má Hora e a do Anjo. Ruínas imponentes, estas, de uma grandeza impressionante. Em termos económicos, a principal actividade da população continua a ser a agricultura e pecuária, seguida dos serviços, comércio e pequenas unidades industriais, que têm um peso relativo na economia nacional.

População: 5629.
Actividades Económicas: Agricultura, Pecuária, Serviços, Pequeno Comércio e Indústria.
Festas e Romarias: S. João de Deus (8 de Março).
Património: Castelo Medieval, Convento de S. Domingos, Museu de Arqueologia, Igrejas do Calvário e de N.ª Sr.ª da Visitação, de S. Domingos, de St.ª Sofia e de S. Mateus e Zona Antiga da Cidade.
Gastronomia: Ensopado de Borrego, Migas à Alentejana, Pezinhos de Porco de Coentrada, Pratos de Caça e Enchidos de Carne de Porco, Pasteis de Grão, Filhós, Licor de Poejo e de Granito.
Artesanato: Pintura Alentejana em Mobiliário, Miniaturas em Madeira e Cortiça e Tapetes de Arraiolos.
Colectividades: Grupo União Sport, Sociedades Carlista e Pedrista, A. do Abrigo dos Velhos Trabalhadores, A. 29 de Abril, Cercimor, S. Columbófila Montemorense, A. de Caçadores de Montemor-o-Novo, G. D. Pesca à Linha, Grupo dos Amigos de Montemor-o-Novo, Grupo D. do Reguengo, Grupo Desportivo do Paião, entre outras...
Orago: S. João de Deus.
Feiras: Feira de Maio (1.º fim-de-semana de Maio) e Feira da Luz (1.º fim-de-semana de Setembro).

11 setembro, 2006

A Freguesia de Lavre

A vinte e dois quilómetros da sede de concelho, esta freguesia situa-se na margem direita da ribeira do mesmo nome, afluente da ribeira de Canha. Uma ribeira importante na economia da população ao longo dos séculos, já que “a faz muito fresca, aprazível e abundante de cereais, fruta, peixe, azeite e outros frutos” (Pinho Leal, “Portugal Antigo e Moderno”) Lavre foi, no passado, a maior povoação destas redondezas. Era cidade, no tempo dos árabes, que nessa altura fundaram a povoação e lhe deram todas as condições para se desenvolver. Chamava-se então Laven, sendo que desses tempo existem ainda alguns vestígios junto à capela de S. Miguel. Freguesia em franco progresso, Lavre é um centro produtor de Cortiça, Azeite, Vinho e Mel. A Agricultura é, pois então, a principal actividade da sua população. A sua localização estratégica é, desde há alguns anos, excelente, devido sobretudo à estrada que a liga, por Ciborro, a Mora. Aqui vivem, actualmente, cerca de mil habitantes. Voltemos, antes, ao passado. Que iremos situar, neste caso, na época dos romanos. É dessa altura a ponte que liga as duas margens da ribeira de Lavre, enquanto que no local onde se encontra a St. Casa da Misericórdia se situava a “Domus Municippalis”. Os mouros tiveram também uma grande importância para a história da Freguesia. Além da ponte do Carvalho, em ruínas, foi da sua responsabilidade a construção de um castelo defensivo, no Outeiro, do qual não resta porém qualquer vestígio, a não ser algumas cantarias e alicerces enterrados. O primeiro documento escrito que refere Lavre data de 1220 e está assinado pelo rei D. Afonso II. Nessa carta, o monarca concede uma doação de uma herdade sua, em Lavre, ao falcoeiro Mendo Gomes, funcionário da corte, e seus descendentes. Lavár era então o nome da novel vila. Foi D. Dinis que procedeu ao povoamento da freguesia, por volta de 1300. Em 1304, iria conceder foral à povoação, a que se seguiu um outro, logo no ano seguinte. Desaparecidos os textos originais, ou mesmo qualquer cópia, dos dois primeiros, resta o texto do terceiro foral, concedido por D. Manuel I em 13 de Janeiro de 1520. Em termos eclesiásticos, Lavre foi um priorado da apresentação do cabido da Sé da Guarda. Era seu donatário o Conde de St. Cruz. Trágico, para Lavre, foi o terramoto de 1755. Nesta Freguesia, os seus efeitos também se fizeram sentir com severidade, tanto que os mais importantes edifícios sofreram derrocada. Foi o caso de grande parte da Igreja Matriz. O Concelho de Lavre, formado em 1520, tinha Misericórdia e Câmara, com Juiz Ordinário e Vereadores. Acabaria por ser extinto no século XIX, porque a sua importância no contexto nacional nunca foi muito grande, e a Freguesia integrada em Montemor-o-Novo.
População: 922.
Actividades Económicas: Agricultura, Exploração Florestal, Panificação e Pequeno Comércio.
Festas e Romarias: N.ª Sr.ª da Assunção (1.º domingo de Agosto).
Património: Igrejas Matriz, da Misericórdia, de S. Sebastião, de St. António e de S. Pedro, Ponte Romana, Fonte Romana, Ponte Nova e Fonte de N.ª Sr.ª do Carmo, Pedra Furada, Cemitério Mouro, Anta, Torre do Relógio e Pelourinho.
Outros Locais: Miradouro.
Gastronomia: Doce da Siricaia, Migas à Alentejana, Batatas de Rebolão, Migas de Espargos e Tubaras com Ovos.
Artesanato: Miniaturas em Madeira e Cortiça, Colheres e Garfos de Pau, Tarros em Cortiça e Cestas em Verga.
Colectividades: Banda Filarmónica Simão da Veiga e Núcleo de Atletismo da Casa do Povo de Lavre.
Orago: N.ª Sr.ª da Assunção.

10 setembro, 2006

A Freguesia de Foros de Vale de Figueira



A Freguesia de Foros de Vale de Figueira, do concelho de Montemor-o-Novo, distrito de Évora é composta por uma população que ronda os 1 015 habitantes, distribuídos por uma área de cerca de 66,85 km2. As suas raízes históricas, nomeadamente administrativas, encontram-se na Freguesia de Lavre, à qual Foros de Vale de Figueira pertenceu como simples lugar. Quando Lavre se separou de Montemor, constituindo novo concelho, Foros de Vale de Figueira terá claramente beneficiado dos privilégios inerentes àquela instituição municipal. Segundo António Alberto Banha de Andrade, na “Sua Breve História das Ruínas do Antigo Burgo e Concelho de Montemor-o-Novo”, este acontecimento terá sido registado no ano de 1304, quando D. Dinis concedeu o primeiro foral a Lavre. Sabe-se, no entanto, que os textos originais deste foral, bem como os de um outro, outorgado, logo no ano seguinte, desapareceram, levando a maioria dos historiadores à conclusão de que, apenas o terceiro foral, concedido por D. Manuel, em 1520, instituira Lavre como concelho, logrando Foros de Vale de Figueira de uma maior proximidade com o centro administrativo, o domus municipalis, o juís ordinário e os vereadores. Em termos eclesiásticos a Freguesia pertenceu a um priorado da apresentação do cabido da Sé da Guarda e teve como donatário o Conde de Santa Cruz.

Actividades Económicas: Agricultura, Pecuária, Construção Civil e Pequeno Comércio.
Gastronomia: Sopa de Carne, Migas Alentejanas, Ensopado de Borrego, Açorda Alentejana, Gaspacho, Filhós, Arroz-Doce, Boronhóis de Abóbora e Pastéis de Grão.
Artesanato: Trabalhos em Cortiça e Madeira e Cestaria.
Colectividades: Foros Vale de Figueira Futebol Clube.
Orago: N.ª Sr.ª de Fátima.

A Freguesia do Escoural

Situada nas proximidades de um afluente da ribeira de Sítimos, a uma distância de 13 km da sua sede de Concelho, a Freguesia do Escoural abrange uma área de 138,93 km2 e compreende um número de cerca de 2 000 habitantes. Se a composição do nome da freguesia invoca o Apóstolo, lembrando ligações à Ordem de Santiago, a qual possuía bens no concelho de Montemor-o-Novo, pelos menos desde Março de 1229, a sua antiguidade é bem mais remota. António Alberto Banha de Andrade na sua “Breve História das Ruínas do Antigo Burgo e Concelho de Montemor-o-Novo”, faz saber que “Nela surgia, pela primeira vez em Portugal, a arte paleolítica, tendo-se identificado já, 14 pinturas rupestres, a vermelho e a preto, e 3 gravuras; e encontrou-se grande quantidade de objectos e utensílios pré-históricos, como vasos, machados, enxós, contas, fragmentos de cerâmica diversa, etc., e muitas ossadas humanas.” As grutas dos Escoural, no quadro da arte rupestre paleolítica, estão instaladas no sítio mais ocidental da Europa, daí que o seu estudo seja do maior interesse para a pré-história de toda a Península Ibérica. Do Neolítico recente e final, compreendido entre 3100 e 2500 antes da nossa era, são encontrados na freguesia, nomeadamente na Herdade da Anta, os chamados monumentos megaliticos, construções sepulcrais que serviam para inumações colectivas. Nessa herdade localiza-se uma pitoresca e original capela, dedicada a N.ª Sr.ª do Livramento cuja estrutura geral, segundo o Inventário Artístico de Portugal, compõe-se de duas partes distintas: “corpo da anta, possivelmente primitivo oratório (...), com esteios completos e chapéu miliários; e nave de planta quadrada ( com c.a. de 2,00 m) suportada por cúpula hemisférica repousando nas habituais trompas secas, tudo de alvenaria caido de branco.” A obra citada acrescenta ainda, que “no prospecto oriental da anta, existem vestígios de arco redondo, e um gigante de alvenaria; na face oposta, deitado por terra e servindo de mesa aos peregrinos, outro esteio granítico, calcinado pelo tempo”. Monfurtado, topónimo derivado de Monte furado é um local da freguesia, onde se encontram muitas cavernas, salientando-se a denominada Cova Santa, prolongada por um subterrâneo com mais de uma dezena de metros, na qual, segundo a lenda, se encontra a sepultura de St.ª Quitéria. Nas Covas de Monfurtado, Baltasar da Encarnação, juntamente com mais três anacoretas, cumprira “severa penitência de abstinência e oração”, no ano de 1713. O seu exemplo, alcançou fama em todo o Alentejo e provocou a piedade de muitos crentes, os quais, vindos ao lugar, fixaram a sua habitação em lapas subterrâneas escavadas nas rochas. A veneração foi crescendo e João de Vilalobos e Vasconcelos cedeu-lhes certas terras na encosta da serra, para edificarem uma residência comunitária que acabaria por tomar o nome de Convento de N.ª Sr.ª do Castelo das Covas de Monfurado. Este convento sofreu muitos estragos com o terramoto de 1 de Novembro de 1755 e em 1834, foi abrangido pelo Decreto da extinção das ordens religiosas. Teve, no entanto, culto, até ao início do século XX. No coração da serra, esteve em actividade, durante longos anos, uma mina de ferro, com a designação genérica de Minas da Serra dos Monges. A exploração deste minério teve lugar ainda na Herdade do Castelo, pertença do marquês de Lavradio. Na falda da serra de Monfurado e integrada no antigo património dos fidalgos-lavradores de Vilalobos e Vasconcelos, situa-se a Torre do Carvalhal, chamada popularmente de Torre dos Monges. Faz parte de um majestoso solar quinhentista, residência dos morgados fundadores. Tem cerca de 17m de altura e surge, ao sul-ocidente, abraçada por uma poderosa torrela cilíndrica, com escada helicoidal e degraus de pedra. Nela se vêem gárgulas redondas de fruste acabamento. Defendido por uma poderosa torre quadrangular na banda do oriente, se evidencia o antigo paço rural dos morgados Lobos da Gama, fidalgos da Casa Real, com assento na cidade de Évora. O casario do lado setentrional, com chaminés de ressalto, empenas assimétricas e outros elementos de arquitectura rústica, denuncia épocas recuadas. A sua capela, dedicada a Nossa Senhora do Rosário, sofreu uma reforma nos inícios do século XIX, apresentando uma planta rectangular e uma cobertura de barrete de clérigo, disposta em dois tramos, revestida de composições do estilo neo-clássico. Dos primeiros anos do seiscentismo revela uma interessante imagem, em madeira, da Virgem com o Menino. Um outro exemplar de arquitectura religiosa, a salientar ainda na freguesia, é a Igreja de S. Brissos, em alvenaria contrafortada, disposta em alpendre e corpo de nave de frontão triangular, envolvido por volutas de enrrolamento, nascentes de pináculos de andares, centrando o sóbrio campanário de molduras escaioladas. Fazem parte da freguesia os seguintes lugares: S. Brissos, Casa Branca, Biscaia, Enxaras e Carreiras. Segundo Pinho Leal, no lugar de Casa Branca da freguesia situava-se a 12.ª estação do caminho-de-ferro de Leste (Entroncamento).
População: 1318.
Actividades Económicas: Agricultura, Exploração de Cortiça, Pecuária, Carpintaria, Panificação, Serralharia Civil e Mecânica, Construção Civil e Pequeno Comércio.
Festas e Romarias: S. Tiago (4.º domingo de Julho).
Património: Igreja Matriz, Grutas do Escoural, Anta de N.ª Sr.ª do Livramento, Capelas de S. João Baptista e de S. Brissos, Convento de N.ª Sr.ª do Castelo das Covas de Monfurado, Qta. da Torre do Carvalhal e Qta. de N.ª Sr.ª do Rosário.
Outros Locais: Lugar dos Monges em Monfurado, Barragens, Grutas do Escoural, Centro Interpretativo das Grutas do Escoural e Barragem da Anta.
Gastronomia: Migas, Carne de Porco, Cozido à Portuguesa (Alentejano), Açorda Alentejana, Gaspacho, Sopa de Cação Alimado e Sopa de Tomate.
Colectividades: Soc. Recreativa Grupo União Escouralense, Assoc. Cultural Recreativa e Desportiva de Casa Branca, Assoc. de Caçadores e Pescadores do Escoural, Grupo Estrela Escouralense e Assoc. de Protecção à População de Santiago do Escoural.
Orago: S. Tiago.
Feiras: Feira de S. Tiago (4.º domingo de Julho).

09 setembro, 2006

A Freguesia de Cortiçadas do Lavre


A Freguesia de Cortiçadas do Lavre, do concelho de Montemor-o-Novo, distrito de Évora, engloba um número de cerca de 2000 habitantes e compreende uma área de 98,90 km2. Como simples lugar de Lavre, eclesiasticamente, pertenceu a um priorado da apresentação da Sé da Guarda. Em 1998 é composta pelos seguintes lugares: Alto da Mata, Casas Novas, Foros da Palhota, Gralheiras, Vale das Custas, Casarões e Alhos Vedros, Casa de Pau e Castanheiro. A área envolvente da actual freguesia foi fortemente abalada pela guerra da independência e foi aquela que mais sofreu com o terramoto de 1755. Para além de arruinada a maior parte dos seus edifícios, perderam-se muitos documentos, o que não facilita o acesso ao conhecimento da sua história. No entanto, o seu povoamento remonta, certamente, ao período enolítico, no qual, embora a documentação não refira a existência de vestígios arqueológicos, a toponímia fornece alguns indicadores que permitem sustentar tal afirmação. Cite-se, por exemplo, o antigo Casal de Antas, pertencente, assim como Cortiçadas, à antiga freguesia de Lavre, que denota a presença da cultura megalítica na região. Simultâneamente, o referido topónimo sugere a romanização, dado que, na origem de um casal, quase sempre se pode localizar uma primitiva “villa”. Todavia, dessa época, dispomos de testemunhos arqueológicos concretos, devendo referir-se a ponte que liga as duas margens da ribeira de Lavre. Mas os momentos que mais marcaram a história de Cortiçadas, reservando-se a devida excepção para aquele em que se institui como freguesia, foram, sem dúvida, aqueles que deram um maior destaque à povoação de Lavre. O primeiro, situar-se-á no período em que os arábes se fixaram na península, constituindo Lavre, como cidade. O segundo, aquele em que Lavre se tornara concelho. Cortiçadas, em ambos, terá seguramente beneficiado de privilégios únicos. O território de Lavre, até à data em que Cortiçadas foi elevada a Freguesia, se perdeu o título de cidade, Laven, como então era chamada, beneficiou de forais que tanto os monarcas D. Dinis, como D. Manuel, lhe concederam; e, se, no tempo de D. João I, com a edificação do castelo de Lavar, hoje desaparecido, apresentou uma posição estratégica, devidamente consolidada em termos defensivos, foi ponto de passagem de vários senhores, dos quais salientamos o Conde de Santa Cruz, seu donatário, os quais tinham por condição “trazer mais gente para a povoar” – (Américo Costa - Dicionário Corográfico). O Município de Lavre, que assegurava a Cortiçadas uma maior proximidade relativamente ao seu centro administrativo, acabou por ser extinto. Para que uma organização político-administrativa não se desvirtuasse e, sobretudo, com o objectvo, uma vez mais, de se solucionar o problema da desertificação populacional, foi criada a Freguesia de Cortiçadas e, ainda, a de Vale de Figueira. Ao facto, certamente, não terá sido estranho, o desenvolvimento económico, por ambas apresentado, salientando-se que a produção de Cortiça, desde sempre, caracterizou Cortiçadas, justificando-lhe a origem do próprio nome.
Actividades Económicas: Agricultura, Pecuária, Indústria de Madeiras, Cortiça, Carvão, Panificação, Serralharia Civil, Construção Civil e Pequeno Comércio.
Festas e Romarias: Festa da Queima da Boneca (Carnaval) e N.ª Sr.ª da Ajuda (Julho).
Património: Moinhos de Vento e Fontanário das Casas Novas.
Outros Locais: Moinhos de Vento e a Freguesia em si .
Artesanato: Trabalhos em Cortiça e Bordados.
Colectividades: Centro Cultural Recreativo e Desportivo das Cortiçadas do Lavre.
Orago: N.ª Sr.ª da Ajuda.

A Freguesia do Ciborro



No extremo oriental do concelho de Montemor-o-Novo, a norte do mesmo, freguesia de Ciborro é delimitada pelo concelho de Coruche. Pertenceu durante muitos anos à freguesia de S. Geraldo. Uma vez extinta esta, passaram as duas localidades a pertencer à freguesia de N.ª Sra. do Bispo. Em 1985 Ciborro é elevada a freguesia. Em Ciborro, o casario integra-se de forma muito curiosa com a beleza da paisagem. Aliás, é esta povoação terra de belas paisagens. É o caso daquela que se pode contemplar ao longo da ribeira das Barrosas e das margens da barragem do Ciborro, construída pela Cooperativa Agrícola da freguesia. Com cerca de mil e duzentos habitantes, Ciborro é uma povoação virada sobretudo para o sector primário. São famosos, na sua cooperativa de consumo, os torresmos, os enchidos e as filhós, e no artesanato os objectos em cortiça.
População: 737
Actividades económicas: Agricultura, Exploração Florestal, Pecuária, Construção Civil, Serralharia Civil, Carpintaria, Serração de Madeiras e Comércio.
Festas e Romarias: N.ª Sr.ª de Fátima (Julho/Agosto - data móvel).
Património: Igreja de S. Lourenço, Barragem do Ciborro e Antas.
Outros Locais: Pesca Desportiva, Barragem do Ciborro, Campismo, Campo de Tiro e Desportos Náuticos.
Gastronomia: Borrego, Caça e Enchidos de Carne de Porco.
Artesanato: Miniaturas em Madeira e Cortiça e Colheres e Garfos de Pau.
Colectividades: Clube de Caçadores e Pescadores do Ciborro, Valenças Sport Clube, Casa da Cultura e Recreio do Ciborro e ARPIC - Associação de Reformados Pensionistas e Idosos de Ciborro.
Orago: N.ª Sr.ª de Fátima.

08 setembro, 2006

A Freguesia de Cabrela



Na parte sudoeste do concelho de Montemor-o-Novo, para sul desta cidade, a freguesia de Cabrela é constituída pela sua sede e pelo lugar de Valancho, que no passado formou freguesia própria. O povoamento do seu termo ascende a épocas muito remotas. Comprova-o a arqueologia, através de diversos vestígios megalíticos (antas) e romanos (diversas moedas). O nome da freguesia parece estar ligado ao facto de, em tempos remotos, a região ter sido local onde proliferava a cabra selvagem. Cabrela situava-se a princípio num outeiro, onde até há alguns anos se viam restos da antiga igreja matriz. Chamou-se de início Aldeia do Pinhal e, a partir do século XVI, Vila Nova do Pinhal. Cabrela foi elevada a vila em 1516 por D. Manuel I, que lhe deu um segundo foral. D. Afonso Henriques já o concedera também, em 1170. Antes ainda do reinado de D. Dinis, que é comunmente aceite como o início do concelho, a vila de Cabrela já tinha justiças próprias, um governo local, etc. Em 1826 foi elevada a Sede de Concelho; perdeu este estatuto com a integração no Concelho de Alcácer do Sal em 1895; passou por último a pertencer ao Concelho de Montemor-o-Novo no ano de 1898. Foi das comarcas de Santarém, Setúbal, Lisboa e Alcácer do Sal. Em termos eclesiásticos, o prior era nomeado pela Mesa da Consciência e Ordens. A nível do património edificado de Cabrela, destacamos a igreja paroquial. Inaugurada em 1625, é dedicada a Nossa Senhora da Conceição. Dantes, era de abóbada e tinha cinco altares, mas sofreu desde a sua construção algumas alterações. Em termos económicos, Cabrela tem como actividades principais a agricultura, a exploração de cortiça, a pecuária, a panificação, a serralharia civil e o pequeno comércio. Vivem neste momento na freguesia cerca de 850 habitantes. Um número que tem vindo a decrescer ao longo dos anos, já que em 1950, antes da vaga migratória que assolou sobretudo o interior do País, esse número se cifrava em cerca de 4300. Era uma das mais populosas vilas do Alentejo. O artesanato, na freguesia, é um dos aspectos evidentes da ruralidade da povoação. Simboliza bem tudo isto um velho artesão, que desde há muitos anos se dedica, ao ponto de se ter tornado uma verdadeira referência de Cabrela, diversos instrumentos de cortes e enxós. Como referia uma publicação concelhia, “a oficina é pequena e arrumada, o fole muito gracioso, e todo o ambiente de trabalho parece pertencer a épocas passadas”. Parece e é, dizemos nós. Refere o “Guia de Portugal” (João Parreira) em relação a Cabrela: “Do alto da povoação, extenso panorama até Palmela, serras da Arrábida e Montemuro. O terreno encrespa-se gradualmente, picado do verde- -negro das azinheiras. Surgem os “montes” típicos, rodeados pelos palheiros e os frascais de mato. Pastagens, e por vezes grandes montados, formando quase floresta”.

Actividades económicas: Agricultura, Exploração de Cortiça, Pecuária, Panificação, Serralharia Civil e Pequeno Comércio.
Património: Igreja Matriz.
Outros Locais: Açude da Cabrita, com Lugar de Lazer e Moinhos de Vento.
Gastronomia: O Geral da Região.
Artesanato: Trabalhos em Madeira e Palha.
Colectividades: Banda Filarmónica e Associação Humanitária da Freguesia de Cabrela.
Orago: N.ª Sr.ª da Conceição.
Feiras: Mercado mensal (1.º domingo do mês) e feira anual (2.º domingo de Junho).

O Concelho de Montemor-o-Novo

É um dos maiores concelhos de Portugal. Com uma área de 1.450 quilómetros quadrados, aqui vivem actualmente cerca de quarenta e cinco mil habitantes. É constituído por dez freguesias: Cabrela, Ciborro, Cortiçadas de Lavre, Foros de Vale de Figueira, Lavre, Nossa Senhora da Vila, Nossa Senhora do Bispo, Santiago do Escoural, S. Cristóvão e Silveiras. Um número que em meados do século era muito maior. A própria cidade e sede de concelho chegou a ter quatro freguesias, hoje reduzidas a duas. O território foi conquistado aos mouros (que aqui haviam erguido uma fortaleza defensiva, cujos restos ainda hoje subsistem na vila), definitivamente (porque antes já o fora por D. Afonso Henriques) durante o reinado de D. Sancho I. Este monarca deu foral a Montemor-o-Novo em 1203. No entanto, o seu povoamento é muito anterior aos sarracenos. No tempo dos romanos, Montemor-o-Novo era a cidade de Castrum Malianum, e antes ainda aqui estiveram povos neolíticos, como o atestam algumas figuras rupestres no Escoural. Terão sido os primeiros habitantes do concelho. Em 15 de Agosto de 1503, Montemor-o-Novo recebia novo foral, desta vez concedido por D. Manuel I. Nasceu neste concelho S. João de Deus, um Santo português que deixou a sua presença bem marcada pelos actos da maior benemerência em Portugal e em Espanha. Foi beatificado em 1623 e canonizado em 1690. Os principais produtos produzidos em Montemor-o-Novo são a cortiça, o carvão vegetal, os cereais, o azeite, o gado e o vinho.